A senhorita Miguelina Hordachevska, era uma jovem ucraniana, estatura média, porte elegante, dotada de grande inteligência e beleza física, sadia de corpo e de espírito. Os traços característicos do seu semblante revelam nobreza e inteligência. Nos olhos verdes acizentados, transparencia a alegria da felicidade e paz interior. A sua fisionomia sempre calma e serena refletia a grande paz de que era possuidora. Aquela paz que somente pode ser o reflexo da contínua comunicação de amor total com Deus e com o próximo. Era uma pessoa de caráter ameno, cativante, alegre, expansivo, comunicativo amigo.Observadora, perspicaz e, prudente. Amada pelas irmãs que com carinho aconchegavam-se a ela, foi o coração da Congregação das Servas de Maria Imaculada nos primórdios da sua existência Miguelina nasceu no dia 26 de novembro de 1869, na cidade de Lviv na Ucrânia Ocidental. Filha do casal Jacinto Hordachevski e D.Maria Pukas Hordachevska, boa, honesta e temente a Deus como tantas outras aí residentes naquela época. Possuía quatro filhos: o primogênito, Estêvão e as três filhas Anna, Miguelina e a caçula Madalena eram a maior riqueza da família. O chefe da casa, Jacinto, carpinteiro profissional, sem maiores problemas, mantinha economicamente a sua família com renda do seu trabalho na oficina de fabricação e reparação de móveis antigos. Profissão esta, exigia do Jacinto muita perícia e habilidade manual. Econômicamente nada lhes faltava para a felicidade familiar. Muito jovem ainda, Miguelina já estava com a sua atenção voltada para o alto. Atenta ao seu cultivo pessoal desejou crescer no corpo e no espírito. Por isso procura orientação espiritual junto ao sacerdote missionário Pe.Jeremias Lomniski da Ordem de São Basílio. Sob a sua orientação prudente e segura Miguelina cresce, amadurece e torna-se hábil instrumento nas mãos do Senhor. Em maio de 1891,Pe.Jeremias concebe a idéia de fundar uma nova Congregação - Irmãs da Nova Congregação ficariam à serviço do povo, educando e formando as suas crianças e a juventude e em primeiro lugar as meninas. Assistindo os doentes e cuidando da educação e da instrução as Irmãs assegurariam o resultado do trabalho missionário realizado pelos sacerdotes Basilianos e Diocesanos. Com esta idéia o Pe.Jeremias desafia a jovem Miguelina. É ela a mais indicada para ser o coração da Congregação por enquanto apenas embalada pelo sonho do zeloso missionário. Miguelina já tem 21 anos de idade, inteligente, talentosa e quer passar pelo mundo fazendo o bem, e como tal não hesita. Em obediência ao seu orientador espiritual, dirige-se ao Noviciado das Irmãs Felicianas da cidade vizinha, Jovkva. Aqui permanece desde 17 de julho de 1891 até 22 de agosto de 1892. Durante um ano e sessenta dias nada mais lhe interessa. Ela está aqui para aprender como se vive a consagração. Ela precisa aprender também como se transmite aos outros os valores da vida religiosa. Uma das suas contemporâneas, a Irmã Anastácia Melnek, escreve a respeito da Irmã Josafata o seguinte: "- era de educação aprimorada, de índole piedosa e muito perspicaz; um tanto severa e exigente, embora muito compreensiva. Possuidora de um elevado grau de humildade a ponto de aceitar as sugestões sobre as suas decisões. Não fazia distinções de pessoas. Um corpo franzino e delicado era portador de caráter férreo." Compreensiva com todos, mormente com os doentes. Além dos dotes naturais, excepcionais e adquiridos possuia um enorme cabedal de orientações dos Padres Basilianos, e de experiência de vida religiosa das Irmãs Felicianas em Jovkva. Findo o Noviciado Miguelina veste o hábito religioso que ela mesma confeccionou de acordo com o seu gosto e o costume da época. As cerimônias da vestição realizaram-se na Igreja de Santo Onófre na cidade natal da jovem noviça, Lviv em 24.08.1892. Na vestição deve morrer o homem velho com todos os seus vestígios. Até o nome do batismo é substituído por um outro novo. Miguelina chama-se agora Irmã Josafata. Vestida no seu novo hábito a Irmã Josafata sempre orientada, assistida, apoiada pelo Pe.Jeremias segue para aldeia Zuzilh - Sokalh. Aqui em 27.08.1892 ela participa da abertura e inauguração da primeira casa da Nova Congregação. Nesta primeira Comunidade, acolhendo outras sete jovens ucranianas, a Irmã Josafata assume tríplice função: Co-fundadora da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, Superiora da Comunidade e mestra do Noviciado. Em 20 de novembro de 1892, a noviça Irmã Josafata emite os Primeiros Votos por um período de três anos. A solenidade tem lugar na igrejinha lotada de gente da aldeia Zuzilh e é presidida pelo velho pároco Pe.Cirilo Seleski. Em 1896, a Irmã Josafata renova os Primeiros Votos e aguarda a Profissão Perpétua.
A 26 de setembro de 1902 é eleita para o cargo de Superiora Geral da Congregação. Ela como a primeira Geral é inteligente demais para reter o poder nas suas mãos em prejuízo da Congregação. Em 20 de outubro de 1904, antes mesmo do término do quinquênio do seu mandato, julga melhor resignar ao cargo a ela confiado, tendo apenas em vista o bem da Congregação e das Irmãs a quem amava. Durante cinco anos a Co- fundadora constrói a Congregação no ocultamento, na obediência, no silêncio e humildade e, porque não dizer, no sofrimento, o qual jamais alguém registrou ou registrará no livro da sua vida. Em 1907, o Divino Artista encarregou-se de moldar melhor ainda o instrumento das suas mãos. Neste ano a Irmã Josafata deve fazer a Profissão Perpétua, entretanto, por incrível que pareça, não é admitida. Enquanto 60 das suas co-irmãs jubilosas professam solenemente, a Irmã Josafata, com o coração magoado e olhos banhados de lágrimas, ocupa o último lugar na comunidade. Os caminhos de Deus não se ateem às débeis categorias humanas. Ele reserva para os seus prediletos um sólido embasamento, livrando os do orgulho destruídor dos melhores projetos e, inocula neles a frutuosa humildade, para terem condições de assumir cargos de responsabilidade e os capacita para posições de destaque que na sua inefável bondade e divina sabedoria lhes quer confiar. Ele exalta os humildes e os orgulhosos mantém nos seus ridículos sonhos de estulta grandeza humana. Em 1908 pela 2a vez ela não consegue ligar-se com votos perpétuos à Congregação por ela fundada e estruturada. E é só na data de sete de maio de 1909 que ela entra na fileira das irmãs de votos perpétuos. Esta grande mercê é conferida pela intervenção sábia e paternal do metropolita André Scheptesky. Nesta mesma oportunidade a Irmã Josafata é conduzida pelo Capítulo Geral a ocupar o honroso cargo de Vice-Superiora Geral, permanecendo nele até a sua morte ocorrida em 1919. Em 1914 adoece e só consegue locomover-se apoiando-se em uma bengala. É medicada em Lviv.Os médicos mediante o diagnóstico falho, prescreveram fortes massagens nos músculos da perna enferma e aconselham longas caminhadas forçadas. Com tal tratamento desacertado a pobre doente chega a desmaiar de tamanha dor que sente. Permanecendo inalterável o estado de saúde, a vítima é encaminhada para o hospital de Peremechil. O provecto diretor da clínica, de rara capacidade profissional de muita experiência e dedicação, fez um acurado exame diagnóstico e chegou a conclusão de que a paciente sofria da tuberculose óssea. Então a Irmã foi levada aos montes Carpatos para banhos em águas minerais lá existentes. Baldadas todas as esperanças de cura, após algum tempo, a Irmã volta para Lviv e em seguida para a casa de formação (Noviciado) em Krestenópilh. Ali, no silêncio, sob o cuidado carinhoso das Irmãs e Noviças, espera a morte. Com o passar do tempo a doença aniquilou por completo o seu organismo. Deixou- a sem a mínima locomoção e prostrou-a definitivamente no leito das dores do qual não se levantou mais. Nada, porém conseguia abalar o ânimo e a vontade férrea dela. Todos os que à ela se aconchegavam, imprecionavam-se com a paciência, abandono à vontade de Deus e sobretudo com a sua inalterável jovialidade. O sorriso de paz que procurava mantê- lo mesmo nos momentos de dores mais pungentes.Percebendo que, a irmã morte estava chegando, Irmã Josafata falou à irmã enfermeira: " - Morrerei no dia da Anunciação de Nossa Senhora". "Quando é mesmo a festa da Anunciação?" "Daqui a três semanas", respondeu a irmã. "Então ainda três semanas deverei padecer", disse a enferma. Passavam-se os dias e chegou a solenidade da Anunciação. Na véspera, a pedido da enferma foi chamado um sacerdote. E nesta mesma noite, em sete de abril de 1919, faleceu a Irmã Josafata, foi inumada no campo santo da mesma cidade Krestenópilh, no 10oano de sua Profissão Perpétua, com apenas 49 anos de idade.Nas proximidades de sua sepultura, pouco depois, os poloneses enterraram, soldados mortos na guerra. É fora de dúvida que o corpo da nossa Co-fundadora deveria ser inumado em outro local.No dia 4 de novembro de 1921, dois anos e meio após a sua morte o corpo foi transladado para outra sepultura aberta na mesma fileira onde outras suas co-irmãs já estavam dormindo o sono eterno. E os restos mortais da Co-fundadora da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, aqui permaneceram durante 64 anos até o dia em que pela misteriosa Providência Divina foram transladados para o lugar que lhe é devido na Congregação. Naquele dia o Senhor nos mostrou "Como é grande o seu Amor".
Observação: A crônica registra que na transladação, antes que baixassem o branco caixão à nova sepultura, a pedido das irmãs presentes este foi aberto. E as irmãs puderam tirar a cruz do rosário e pedacinhos da veste para lembrança.
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